segunda-feira, 19 de março de 2012

"Ensaio" do Real 1997


Foi com o título "Minha Linda Bromélia" que descrevi meu achado no dia 1º de setembro próximo passado, levado pelo  entusiasmo de então. O texto foi tão explicíto que achei não precisar escrever mais nada a respeito. Por minha expontânea vontade  candidatei-me a falar sobre esta importante peça durante o último Congresso Brasileiro de Numismática, realizado pela SNB, em São Paulo, nos dias 01, 02 e 03 de dezembro de 2011, o que acabei realizando, muito embora com reduzida plateia, porém com a presença de pessoas ilutres, tais como:  Kátia Dias, gravadora da Casa da Moeda acompanhada de suas duas colegas; Telma Ceolim, alta funcionária do BACEN, também acompanhada por dois colegas e como representante da SNB, presente o Sr. Hilton Lucio,  coordenador  daquela conferência. Apresentei aos presentes para que pudessem examinar a peça que estava sendo motivo de tal palestra. Naquele momento procurei ilustrar minhas afirmações com literatura da época do lançamento da moeda de 1 Real, 1998, juntando o “ensaio” 1997. Todos puderam comparar as características completamente iguais, ou seja, peso, metais, medidas e a serrilha intermitente, detalhe que julgo o mais importante para justificar a autencidade de tal ensaio da moeda de 1 Real do ano de 1997, ano este em que foram elaborados todos os projetos da nova moeda bimetálica.
Aproveitando minha estada ao interessante evento pude mostrá-la às pessoas  conhecedoras da nossa nusmismática, e por conseguinte acostumadas   a examinar  detalhes de  peças consideradas importantes, quer sejam nacionais ou não. Devo dizer que naquele momento pude ouvir de renomados "experts" de nossa moeda, se não afirmações categóricas,mas em nenhum momento duvidaram da autenticidade da peça citada. Quero abrir um parentese para dizer o que eu já sabia: que a peça era autêntica. Pois desde o momento a que examinei, naquela tarde em que a adquiria, sabia que ela era legitima, pois me julgo suficientemente qualificado para tal. Conheço metais, quer sejam nobres ou não, conheço a qualidade de uma cunhagem, conheço o processo de cunhagem de dois metais juntos. Sou capaz de opinar se o abridor de cunho é ou não competente, só pelo seu “talho”. Por tudo isto, afirmo: minha peça é autêntica. Todos os indicios levam a crer que ela foi, de fato, cunhada em nossa Casa da Moeda. Quero salientar que o achado deste ensaio torna-se o mais importante acontecimento numismático dos últimos anos. Trata-se, queiram ou não, de uma extraordinária raridade, pois até o momento é única conhecida. Quero chamar a atenção dos interessados, que tenham a obra editada pelo BACEN à época cujo título é “Novas Moedas do Real”, exposição do concurso para projeto gráfico. Lá estão citados os protagonistas do mesmo, Glória Dias, Kátia Maria de Abreu Dias e Luciano Dias de Araújo (in memorian). Agora vem a pergunta que não quer calar: não poderia haver sido executado ensaio para a confecção de novos cunhos? Afinal isto não é uma praxe? Digo mais: - espero que a partir de agora, ao tornar publico  minhas afirmações,  possa obter, quem sabe, manifestação do órgão maior a respeito, muito embora eu saiba que isto é pouco provável.
Agora rogo vênia para um desabafo: estou nos meios numismáticos há 22 anos, sou conhecido, sou participante das principais entidades numismáticas de nossa terra,  já fiz importantíssimos trabalhos que são de muitos conhecidos. Sou estabelecido com oficina de gravados desde  1952 e quando resolvi cunhar réplicas de moedas raras, tanto do Brasil como de outros, publiquei um catálogo (2005) onde enumerei todas elas que sempre foram por mim identificadas..  Hoje, com 81 anos ,  bem vividos, tenho uma bela família e acima de tudo um nome por zelar e não seria agora que iria denegrir minha imagem com fantasias ilusionistas. Por tudo isto, volto a reafirmar: minha peça é legítima até que provem o contrário, ( para o desatino dos incrédulos e, o que é pior, dos mal intencionados. Deixo claro estar esse material à disposição em minha casa para ser examinado proporcionando a oportunidade para verem o que é uma raridade.
Obs.: a peça citada foi recebida de troco por um caixa de uma banca do Mercado Público de Porto Alegre.
Obs. 2: gostaria de ver este texto publicado no próximo boletim da SNB do mesmo.
Cordialmente,
P. P. Balsemão

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Palestra proferida em São Paulo, durante o XV Congresso de Numismática realizado pela Sociedade Numismática Brasileira;

“Prezados Senhores:
Tenho a grata satisfação de comunicar aos presentes a esta histórica palestra, o aparecimento de uma peça metálica cunhada em 1997, com os dizeres: 1 Real 1997 com desenho de uma bromélia (planta tropical) em seu reverso a figura da república que nos remete aos anos de 1965 referente a moedinha de 50 cruzeiros de níquel. Tão logo examinei a referida peça, classifiquei-a como sendo um ensaio de nossa moeda atual, quando de sua elaboração pela Casa da Moeda do Brasil. Esta peça bimetálica foi feita com os mesmos metais, ou seja, alpaca em seu anel e cuproniquel em seu miolo, com as mesmas medidas, com a mesma serrilha e o que julgo ser o mais importante: o mesmo peso. Devo dizer aos senhores, que tive oportunidade de acompanhar nos anos de 1997/1998 os estudos para o lançamento da nova familia de nossas moedas, quando então foi feito pelo BACEN, um concurso para definir os desenhos da nova familia, concurso este, depois anulado, uma vez que a própria Casa da Moeda veio a ganhá-lo.
Mas, afinal o que é o ensaio? Este nome é dado a todos os procedimentos que se antecipam a cunhagem de uma peça qualquer, não necessariamente, uma moeda. São os testes de material, comportamento de cunhagem e até a verificação do proprio cunho. (Ensaiar: experimentar, testar, etc..) Por que os colecionadores dão tanta importância a um ensaio? Justamente porque é uma peça rara, visto que depois de feito todos os ensaios, estes são destruídos, voltando todo para a fundição, quando raramente alguém se lembra de guardar algumas peças como lembrança dos trabalhos iniciais. Já em nosso primeiro catálogo de moedas do Brasil (Souza Lobo 1908) estão inseridos vários ensaios de nossas moedas. Por isto que os colecionadores dão tanta importancia a estas raras peças que acabam tornando-se tão valiosas. Agora certamente virá uma nova pergunta: Mas como o Sr. Balsemão pode identificar a peça citada como sendo um ensaio? Acontece que entre outras de minhas habilidades, sou um metalúrgico desde os meus 15 anos de idade, portanto, conheço metais em geral. Sou colecionador da moeda brasileira há 22 anos. Estudo as moedas desde os primeiros dias em que comecei minha coleção. Minhas peças são todas classificadas. Aprendi isto nos livros de K. P. Assim, posso afirmar com convicção, ser esta interessante peça, um ensaio de nosso real de 1998, feito, naturalmente em 1997, quando do desenvolvimento da nova familia das moedas brasileiras. Qual a diferença entre um ensaio e uma prova? Esta pergunta é muito fácil de ser respondida: Ensaio é tudo aquilo que se faz para poder apresentar algo perfeito, original; já a prova é feita quando está tudo feito e acabado, por isto as peças são identificadas com a palavra PROVA, tornando-se peça diferenciada para colecionadores, quanto ao ensaio, como disse antes, cabe aos aficionados, experts, verdadeiros numismatas, identificá-las. Quanto à peça por mim apresentada, dou-lhes a minha garantia: Não é uma fantasia – é REAL.
Agradeço a todos por me ouvirem, pondo-me a disposição para qualquer pergunta, referente ao assunto.
Muito Obrigado”
São Paulo 01 de dezembro de 2011 (Dia do Numismata)

domingo, 30 de outubro de 2011

MINHA LINDA BROMÉLIA

Esta é a pequena mas verdadeira história de como apareceu o primeiro ensaio da moeda bimetálica brasileira – o nosso real. Há alguns dias atrás, um amigo meu encontrou entre um lote de moedas de 1 real, uma peça até aqui, inédita. É a mesma, cunhada os dois lados iguais, ou seja: só o anverso( 1 real). Aquilo chamou muito a minha atenção, visto ser de fato, uma coisa inédita até aqui. Comentei o assunto com diversas pessoas do meio numismático, quando ficou constatado não ser eu o único espantado. Meu espanto cresceu ainda mais quando um outro amigo me mostrou duas peças de 50 cents USA do ano de 1976, com a efígie do Presidente Kennedy. Aquela comemorativa 1776/1976, com os dois lados iguais, sendo esta em cupro niquel e não em prata como são as originais, e o pior são duas as peças cunhadas com um só lado, ou seja: um lado só a figura do presidente e a outra com a águia. Tudo isto não passa de uma “anomalia”.
Agora, recentemente, em uma reunião na cidade de Taquara/RS, em nosso Clube (CFNT), ao comentar tal assunto, eis que um jovem iniciante na numismática comentou ter visto uma moeda de 1 real bimetálica com a figura da República diferente da original.
Dizia ele ser a República igual a do nosso cruzeiro 1970/78. É logico que não acreditei. Então perguntei quem era o portador de tão rara preciosidade. Me respondeu ele ser de uma pessoa minha conhecida. Pedi mais detalhes, me dizendo ele não saber mais nada a não ser o que já havia me relatado. Pedi então o numero do telefone da pessoa. Não esperei um instante e liguei a este conhecido tendo então a confirmação de que a peça existia, mas que não era dele e sim de uma terceira pessoa. De cara combinei um encontro com meu amigo para que eu pudesse ver com meus próprios olhos tal afirmação.Fui então encontrar-me com esta pessoa numa bela tarde de quinta feira, chegando em sua banca às 14 horas. (Este cidadão é comerciante de antiguidades e negocia também moedas e medalhas antigas). Depois dos cumprimentos e abraços de praxe, fui perguntando bem baixinho: “ Que tal: posso ver a peça”? – Sim, respondeu ele. Aqui está a “encantada”. Vi então num envelope bem sujinho aquilo que eu não acreditava: uma peça de 1 real bimetálico com a data de 1997 com desenhos completamente diferentes das atuais. Aí constatei. Não tenho dúvidas: Isto é um ensaio do nosso real de 1998. Me deu uma tremedeira e o pior: eu não tinha onde me sentar... Fiz então a tradicional pergunta: Está a venda? – Sim, responde o amigo. Voltando a perguntar. Quanto pedes? Olha, o proprietário só está aceitando ofertas e não deve ser pouco. Pensei um pouco e chutei: Ofereço “X”. Nem pensar, respondeu o comerciante. O dono já teve oferta maior e não quis vender. Parei para pensar. Eu não podia deixar escapar aquela raridade. Juro que até pensei em fumar um cigarrinho, mas eu não fumo. Então fui até um bar e “tomei um martelinho” para me acalmar, hehehe. Precisava raciocinar. Voltando em alguns minutos, aumentei a proposta em 2 vezes “X”. O vendedor pediu que eu aguardasse um pouco e telefonou para o proprietário da moeda. Veio então a resposta: “O homem não se encontra – só as 7 da noite para falar com ele”, hehehe. Fiquei aborrecido, mas fazer o quê? Me despedi aguardando a resposta para mais tarde, para saber se minha proposta seria aceita ou não. Passado pouco mais de dez minutos, quando eu já estava indo embora, tocou meu celular. Balsemão, o homem topou. A peça é tua. Voltei imediatamente ao comerciante preenchi um cheque e fiquei de posse de mais uma relíquia.
De volta em casa, agora com o auxílio de uma lâmpada muito especial, pude examinar com minúcia aquela surpreendente aquisição, me perguntando se seria de fato um ensaio. Comparei-a então com uma moeda de 1 real 1998, confirmando aquilo que eu já imaginava: De fato – trata-se de um ensaio, pois os metais são os mesmos, a parte exterior é de latão dourado, sendo o miolo de alpaca e com o peso rigorosamente igual, isto é, 7,8 g. e diâmetro idêntico. Não tenho mais nenhuma dúvida. Trata-se, verdadeiramente, de um ensaio e fui eu felizmente o premiado.
Nota: onde está escrito “latão” leia-se: “alpaca” e onde está escrito “miolo de alpaca” leia-se “miolo de cupro níquel”
Perdão pelo meu equívoco


    

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Em busca de minha identidade

Rogo venia para falar um pouco de mim mesma. Tenho 14 anos, pois, nasci em 1997. É só o que consta no meu curriculum. Não tenho registro de nascimento, não conheço meus pais, nem a cidade onde nasci. Já andei em muitos lugares, apesar da pouca idade. Andei de mãos em mãos, uma hora bem a vista, outra, escondida. Fui desprezada, ignorada e maltratada, sentindo vergonha disto tudo. Um dia destes, alguém me notou, mas não me quis e tratou logo de se desfazer de mim, levando-me para um lugar onde fiquei exposta. Nem assim quizeram-me, pois pediam um preço muito alto por mim. Então surgiu uma pessoa muito observadora, examinando-me minuciosamente, resolveu adotar-me, pois viu que eu tinha um valor inestimável. Pegou-me com carinho e pagou o preço exigido. Agora tenho um senhor. Ele é meu dono e proprietário, tanto que já está inclinado a decifrar a minha origem. Ele já descobriu que tenho três irmãos, nascidos dois anos depois de mim, graças ao meu DNA. Agora ele está a procura do meu registro, se é que ele existe. Estou feliz. Já tenho onde ficar segura. Sou muito bem cuidada e até tenho sido mostrada a algumas pessoas. Algumas gostam de mim, outras, nem tanto, pois ficam olhando-me com alguma desconfiança. Falam que tenho a cara pálida como lua cheia em noite de neblina, mas não me importo, pois sei que possuo uma auréola dourada. Já pediram para eu ser fotografada. Estou pensando se aceito ou não. Quero saber primeiro de minha verdadeira identidade, pois sei que não nasci por acaso, muito embora não tenha sido reconhecida. Assim, vou aguardar com ansiedade o desfecho do meu futuro. Moeda fala?

Texto Balsemão.


quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

AS PRIMEIRAS MOEDAS DO BRASIL – 1695

Sabe-se que as primeiras moedas brasileiras cunhadas em prata foram produzidas pela Casa da Moeda da Bahia no ano de 1695, nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. Nossa literatura a respeito nos informa sobre este interessante material numismático, somente porque elas existem, não nos informando, porém nenhum outro detalhe em referencia, por exemplo, de como foram produzidas ou de onde provinha esta prata e o nome dos abridores de cunhos da época ou de onde vieram os cunhos. Estes foram abertos já em território brasileiro? Não temos, infelizmente, nenhuma notícia da existencia de cunhos daqueles longinquos tempos, nem mesmo em museus fora do Brasil. Nossa casa da Moeda do Rio de Janeiro, nem museu tem e segundo K.P. teve no passado grande incendio em suas instalações, quando foram consumidas pelas chamas suas preciosidades. Vamos agora tratar da realidade, isto é, coisas que a nossa história não conta e falar um pouco das moedas do ano 1695. Quando das tratativas para que fossem cunhadas nossas moedas no Brasil, na Casa da Moeda da Bahia, certamente foram feitos alguns ensaios, desses, temos somente uma prova, que é o 640 réis com data de 1695 chamada de calvário, peça única, de propriedade do museu Herculano Pires Banco Itaú – SP (figura nº 1)Trata-se de um ensaio, segundo os historiadores. Já a segunda, (figura nº 2) é uma moeda bastante conhecida, porém escassa, circulada no tempo do Brasil Colonia. Nossa curiosidade fica, então, em aberto.
Quem seriam os primeiros abridores de tais cunhos, de onde provinham os materiais para os mesmos? De onde vinham as ferramentas para a execução de tão delicada missão? Como seriam de fato cunhadas tais peças? Seriam elas feitas a quente ou apenas recozidas? Não escondo minha curiosidade, pois como conhecedor de todos esses processos, sei de antemão que não escrevo nenhuma novidade, porém não vi ninguém ainda, tratar de tão interessante assunto.
Fontes: - Kurt Prober – Catálogo das Moedas Brasileiras
Livro das Moedas do Brasil – Arnaldo Russo
O Outro Lado da Moeda –Postais Itaú Numismática



Fig. 1
Fig. 2

P. P. Balsemão
Ivoti/ RS




sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

NOVIDADES A VISTA

Com o titulo “Um manancial para pesquisa” escrito no boletim numero 67 da AFNB, Marcelo Duarte está nos trazendo excelente novidade: “É interessante dar conhecimento a comunidade, que muito em breve será disponibilizado, para pesquisa em mídia eletrônica, um dos três maiores acervos numismáticos do país. Existe, atualmente, em andamento contrato do Banco Central com empresa especializada para entre outros objetos contratuais, estudar, higienizar e otimizar a preservação do acervo numismático pertencente ao Museu de Valores daquela casa”. E segue o autor: “Por dever de ofício, responsável pela empresa contratada para os procedimentos inerentes ao acervo metálico, pude vivenciar a oportunidade impar de manter contato com peças seculares que compõe o universo rico e diversificado daquele acervo”. Para se dar uma idéia do que vem por aí, vou citar só mais uma parte do interessante artigo: “Os interessantíssimos recunhos dos patacões merecem um capitulo a parte, entretanto, sobre estas peças, deve-se relatar, por ora, a presença de alguns exemplares portando o carimbo da coroa britânica, autorizando a circulação nos protetorados do Caribe. Outro tema relevante são os ensaios. São muitos e primam pela raridade histórica. Para se ter uma idéia, mencionaremos, pelo menos duas ocorrências: o ensaio em cobre do famoso patacão 1809 e a outra ocorrência merecedora de destaque é um conjunto de ensaios em ouro do cruzeiro (1927-1928) e suas  sub divisionárias. Os recunhos dos 640 réis, decididamente foram uma surpresa. Abundam no acervo, peças de 640réis recunhadas sobre “j””.
E segue o artigo descrevendo parte do que será mostrado via internet para deleite dos aficionados da numismática brasileira.
Marcelo Duarte é associado da AFNB e assessor da Bibliátrica, empresa contratada pelo BACEN.



Ivoti/RS -  Cidade das Flores

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

AS CÓPIAS VINDAS DA CHINA (3)

Pois meus amigos... Estas cópias vão ainda dar muito o que se falar.
Recentemente, por ocasião do VIII Congresso Latino Americano de Numismática, patrocinado pela SNB de São Paulo foi cunhada mais uma medalha, aliás, como tem sido praxe, para assinalar tal evento. Tem, esta peça, em seu reverso, uma réplica de um Dois mil Réis, 1875, com o busto de D. Pedro II à esquerda e com um carimbo bifacial da República da Guatemala, do ano de 1897. Devo assinalar aqui que tão logo recebi o folder, anunciando que assim seria a medalha do último CLAN, registrei o meu protesto, por discordar da escolha daquela peça, achando-a de muito mau gosto, muito embora, devesse eu saber, tratar-se de moeda existente, constante do catálogo de moedas USA dos anos 1801/1900, KM 213, dada como rara.
Por que protestei? Simplesmente por discordar da sugestão escolhida, cujo carimbo, tampou o rosto do nosso imperador.
Como estive presente ao evento realizado nos dias 02, 03 e 04 de dezembro, tive a oportunidade de comentar com alguns companheiros a minha opinião, a respeito do que escrevi acima. Agora pasmem meus leitores: Em conversa com um comerciante presente ao evento, fiz referencia a tal moeda ao que respondeu ele que tal peça seria considerada peça única e que se encontra no museu da capital da Guatemala, mas que os “chinas” já haviam copiado a mesma, estando, portanto a venda, para desencanto dos comerciantes de moedas.
Pois bem, tratei de por os meus colaboradores em ação e hoje, dia 18 de dezembro do ano que está por findar, chegou em minhas mãos um exemplar, cópia fiel da dita “prata”, 1875. Não vou nem comentar a perfeição da cópia, pois como eu disse, é fiel em tudo, faltando apenas, a assinatura do gravador Luster, que tiveram o cuidado de extrair. Agora vem a pergunta: Se a peça é tão rara ao ponto de ser tida como única, como é que fizeram a cópia? Deixo a pergunta no ar. Antes, chamando a atenção, profetizando – breve, muito breve, veremos muitas peças “únicas”, replicadas fielmente, sendo vendidas a preços irrisórios aos colecionadores.
Ivoti-RS, 18 de dezembro de 2010.

Nota: Vejam que já tomei o cuidado de colocar a palavrinha “cópia”, na minha aquisição, senão ...



Ivoti, 25 de Dezembro de 2010.
P. P. Balsemão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

XIII CLAN – SNB – SP

Tive a satisfação de estar presente no XIII Congresso Latino Americano de Numismática, realizado em São Paulo, nos dias 02, 03 e 04 de dezembro deste ano, quando revi muitos companheiros de lugares distantes. Vivi momentos de plena alegria, vendo o salão destinado ao evento, repleto de comerciantes ávidos em negociar muitas maravilhas expostas em suas mesas. Apertei a mão de muitos. De alguns até fiz aquisições, ainda que poucas. Presenciei a última venda sob ofertas, realizado no sábado, dia 04, ali também disputei alguns lotes. Devo destacar lote n° 3548, medalha Esforço de Guerra, cunhada no ano de 1943, na Casa da Moeda do Brasil, para registrar a participação do Brasil na II Guerra Mundial (1939-1945). K.P. n° 3P – 10 peças cunhadas em prata. “Paguei alto, mas satisfiz meu ego”.

Não posso deixar de registrar o lançamento em 2ª edição do livro: Conjunto de Moedas, Barras e Medalhas Brasileiras – RLM, que tive a honra de ser destacado com um exemplar, com uma bela dedicatória feita pelo autor Dr. Roberto L. Monteiro, a quem devo agradecer a especial deferência. Trata esse livro do registro de peças brasileiras desde os tempos do Brasil Colonial Imperial, até o início da República Brasileira. Magnífica obra colorida, muita bem elaborada com excelente impressão. Parabenizo o autor por seu desprendimento ao mostrar ao mundo numismático de nosso país, tão maravilhosa e importante coleção.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

960 Réis 1809R – Peça Única



Muito tenho lido a respeito do 960 Réis 1809R peça única conhecida nos meios numismáticos do Brasil. Nossos celebres professores K. Prober e Lupércio Gonçalves Ferreira, a ele se referem nos informando minúcias sobre este mito da coleção de moedas brasileiras. Kurt Prober em longo artigo inserido na “Revista Casa da Moeda” n° 5, de Outubro de 1947, relatando sua classificação detalhada, comentando também sobre outro “patacão” surgido em 1942/ 43, peça esta que causou furor nos meios numismáticos de então, ficando depois constatado e provado ser a mesma falsa: ou melhor: falsificada de uma outra moeda de 1810. A referida peça propriedade do Museu do Banco Central do Brasil está exposta ao público em uma de suas vitrines de moedas do Brasil para gaudio dos interessados em pelo menos poder ver a moeda considerada a mais rara de nossa coleção de prata. Interessante é ver-se que a dita moeda está em perfeito estado de conservação, o que chama ainda mais a atenção.

Quando iniciei nas gravações e cunhagens de minhas réplicas, procurei sempre pautar pela seriedade, admitindo estar enveredando por caminho muito complicado e perigoso, sendo assim tratei de me resguardar ao máximo possível para não ser repentinamente confundido com um “mero” falsificador.  Que fiz então? Tratei de me comunicar com a oficialidade dos meios numismáticos, procurando fazer ver a todos que estaria fazendo algo em prol dos estudiosos, pesquisadores, colecionadores e curiosos de nossas moedas, procurando com meu trabalho mostrar aos aficionados ser possível se conhecer peças raras ainda que por semelhança podendo ter em mãos minhas réplicas cunhadas por mim absolutamente sem nenhuma outra pessoa participar das gravações dos cunhos e da cunhagem das mesmas. Sendo assim, minhas primeiras amostras foram dirigidas às entidades oficiais e oficiosas. Enviei naquela ocasião, idos do ano 2000 ao Museu do BACEN minhas duas principais réplicas: peça da coroação e 960 réis 1809R, sendo as ditas acompanhadas de correspondência, esclarecendo o que escrevi acima, obtendo então ciência sobre o assunto.

Para minha satisfação, sou hoje conhecido entre os colecionadores nacionais e internacionais, pois tenho recebido manifestações também de fora do Brasil de pessoas que conhecem e admiram meu trabalho. Quando em 2005 publiquei um pequeno catálogo em que apresento todas as minhas peças até ali produzidas, tratei também de esclarecer meu propósito fazendo alusão aos que me provocaram tentando levar-me a caminhos espinhosos. Como felizmente sou bastante esclarecido e de um caráter firme e inabalável jamais me deixarei corromper por pessoas mal intencionadas.

Junto imagem de duas réplicas de prata do patacão 1909R e também dos cunhos que estarei destruindo muito em breve.

Referências:
- Catálogo dos Patacões 1809R do Rio;
- L. G. Ferreira;
- Revista Casa da Moeda – Rio de Janeiro.

Ivoti, Novembro de 2010.

P. P. Balsemão


sábado, 20 de novembro de 2010

As Barras de Ouro do Brasil Colônia de Portugal

P. P. Balsemão


Ouro: elemento químico de número atômico 79 e peso atômico 196,967, fundi-se a 1063° e entra em ebulição em 2970°.

Empregado na antiguidade, desde a civilização Egípcia, era aplicado nas armas, mobiliários, vasos, taças, tronos, candelabros e instrumentos musicais.

Na Idade Média, os melhores trabalhos em ouro eram Bizantinos. A ourivesaria teve papel destacado nos períodos carolíngeo, romântico e gótico, e atingiu no renascimento seu esplendor.
A existência do ouro no Brasil, era conhecida desde a primeira metade do século 16, consequencia de expedições destinadas à caça do Índio. A continuidade da busca do ouro e a caça do índio foi fator determinante de nossa expansão territorial.

O ouro passou a ser primordial para as finanças da metrópole, elevando-se constantemente à produção. De 725kg em 1669, passou-se a 4350kg em 1703, atingindo-se em 1712, 14500kg.

Instaladas as casas de fundição era retirado das barras "o quinto" devido à coroa. A colonização devia observar anualmente a tributação mínima de 10 arrobas. Não alcançando este mínimo seria decretada a "derrama", que consistiria na complementação obrigatória pela população das regiões mineiras dessa taxa. A expectativa da "derrama" foi das principais causas da conjunção mineira.

Casas de Fundição

O regimento das terras minerais do Brasil, editado em 1603, determinava que o governador mandasse fazer uma casa de fundição a qual "virá todo material de ouro e prata que das minas se tirar para nelas se fundir". Das várias casas de fundição que funcionaram no Brasil são conhecidas barras oriundas de:

Vila Rica, fundada em 1720, iniciou seus trabalhos em 1725. Esteve fechada entre 1735 até 1751. Funcinou até 1732.
Cuiabá: fundada em 1751, funcionou até 1723.
Goias: a casa de Vila Boa de Goias, foi fundada e, 1751.
Rio das Mortes: foi fundada em 1751, funcionou até 1818.
Serro Frio: também fundada em 1751, funcionou até 1832, sendo extinta em 1833.
Sabará: fundada em 1751, operou até 1832, sendo extinta em 1833.
Mato Grosso: iniciou os trabalhos em 1772, tendo sido transferida para Cuiabá em 1819.

As capitanias de Mato Grosso e Cuiabá faziam parte da capitania de São Paulo.

Procurarei relatar ainda que de uma maneira singela o processo de fabricação das "barras de ouro" produzidas pelas Casas de Fundição que funcionaram no Brasil colônia desde o século 16, sendo de forma mais organizada desde 1755 até 1833 já no Brasil império e que durante um bom tempo circulavam como "moeda corrente", especialmente nas províncias do interior.

Com equipamentos e ferramentas primitivas, mas com habilidades de verdadeiros artesões, eram produzidas verdadeiras joias, como o são até nossos dias as barrinhas provindas de nosso ouro.

De como se fundiam as barras: o ouro era recebido nas casas de permuta, em intendências e casas de fundição, no estado em que saia das lavras: em pó, em pepitas, etc. das mãos dos faiscadores, garimpeiros ou mineradores que deviam entregar tal como tinham encontrado. Despejavam de suas "broacas" sobre a mesa do "fiscal", pesando cada lote, descontava-se então, já "o quinto" ou seja: 20% do peso bruto, sendo o restante para fundir as ditas barras de variados tamanhos sempre de acordo com o ouro entregue. Recebia o portador então um "recibo" do ouro e posteriormente viria a receber a barra já fundida, pronta, marcada com seu número, data, peso, toque, marca do ensaiador e tendo em uma de suas pontas as armas da coroa.

Essas maravilhosas e valiosas peças encontram-se em mãos de poucos estando em sua maioria guardadas nos museus mais importantes do Brasil.

Ouro em Pó e em Barras, de K.P.
BACEN - Banco Central do Brasil.

Descrição das Barras:

Barra N° 121 – Peso 38g – K. P. n° 113 – Histórico: esta barra era da coleção do Comandante Alberto Rocha, Rio, em fins de 1931 vendeu a coleção por intermédio de Santos Leitão e Cia. Rio. Constava na lista de vendas daquele negociante em 06/10/1931 por Rs$ 2:500$000. Em 27/05/1932 o Dr. Edgar de Araújo Romero, do Museu Histórico Nacional, deu um certificado desta barra, que em 09/05/1942 me foi mostrado pelo Sr. Agostinho da casa de câmbio – Casa Gonçaga (Avenida Rio Branco, Rio) que também possuía um decalque da peça que aparentemente tinha comprado e a vendido ao Dr. José Luiz de Araújo, de Niterói. Este colecionador era dono da barra em 1941, quando publiquei meu livro: Circulação de Ouro em Pó e em Barras do Brasil, em que descrevi e ilustrei a peça sob referência n° 32 com um desenho que este colecionador me deixou tirar de uma decalque que me emprestou. O Dr. J.L. de Araújo parece ter vendido a peça ao Sr. José Júlio de Andrade que então novamente mandou fazer a classificação pelo Museu Histórico Nacional. O negociante Miguel Sales, do Rio, retalhou a coleção do colecionador José Júlio de Andrade 19/12/1946 e vendeu esta barra por CR$ 7000 ao Sr. Hermann Porcher, de São Paulo, que por sua vez, vendeu a Hans M. F. Schuman, de Nova York, em 21/01/1947. Hans M. F. Schuman, por sua vez vendeu a peça ao Rei Farouk, do Egito e quando a coleção deste rei deposto foi desapropriada e vendida, constava ela no catálogo respectivo da casa Spink, de Londres, sob referência n° 18 (Sohebi, Londres – base: 90 libras).

Barra n° 856 – Peso 28,50g – Histórico: veja a descrição da barra falsa – “F. P.-1813 - V-2723”. Antes de 1941 este peça deve ter existido autêntica, pois a peça falsa, acima citada, foi por ela moldada com excepcional perícia e fidelidade naturalmente variando o peso que na legítima devia ser “teoricamente” de 26,10g, quando a falsa peça apenas: 14,86g.

(Duas réplicas de barra de ouro, uma de Vila Rica, n° 121 e outra de Serro Frio, n° 856). Ouro em pó e em barras – K.P.

Do Gravador P. P. Balsemão

Ivoti, 20 de Novembro de 2010.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Os Sete Medalhões Romanos

A história desses medalhões é bastante interessante, pois num belo dia, olhando num livro de história deparei-me com estas figuras romanas da antiguidade. Tive, então, a idéia de vê-los gravados, pois achei aquelas figuras expressivas por serem, naturalmente, mitológicas. Foi aí que tudo começou. Ampliei as fotos, cortei os discos do material e comecei a trabalhar com muito entusiasmo e aplicação. Fui gravando uma por uma, vendo aparecer em minha frente, aquilo que imaginei desde o início. Quando a série dos sete medalhões ficou pronta, foram decorar meu ambiente de trabalho, para minha satisfação.

Mas isto não ficou só aí. Logo começava outra batalha. Foi quando resolvi gravar também as réplicas das mesmas peças, em tamanho natural, para então, cunhá-las em prata. Isto já é outra história, que será contada oportunamente.
Medalhões de figuras mitológicas da Roma Antiga.

Material: bronze patinado, feitos à mão (peças únicas)
Diâmetro: 140 mm
Tempo de serviço aproximado: 48 horas para cada peça.
Data: ano 1997
Gravador: P. P Balsemão

Denário romano
Deusa de Roma à direita – 109 a.C

Denário Romano
Júpiter à direita – 75 a. C.

Denário Romano
Cabeça de Roma à esquerda – 103 a.C.


Denário Romano
Cabeça radiada do sol à direita – 75 a. C.


Denário Romano
 Cabeça de Roma à direita – 141 a.C.

Denário Romano
Cabeça de Roma à direita – 141 a.C.

Denário Romano
Cabeça de Vênus à direita – 46 a.C


domingo, 31 de outubro de 2010

Medalhões

Começo hoje a mostrar através do meu blog meus medalhões gravados no decorrer de alguns anos. São peças únicas que executei para exercitar-me pois como autodidata que sou foi só através da prática que consegui evoluir em minhas gravações. O moedeiro foi praticamente minha primeira experiência em gravar figuras humanas. Entusiasmei-me com esta figura do cunhador manual do século XVI quando com um pesado malho cunhava as moedas ao seu senhor. Bronze, 300X160mm, gravado inteiramente a mão. Ferramentas usadas: martelo, cinzel, buril e alguns punções. Tempo: + ou - 80 horas. Ano: 1993.
Autoria do escultor Aldo Cascardo – C.M.B. – réplica Balsemão.

Busto de D. Pedro I – a Peça da Coroação – 1822R – Bronze 130mm
Um de meus primeiros trabalhos com as mesmas ferramentas. Ano 1996. Tempo: + ou - 70 horas.


D. Pedro II
Material: duralumínio. 220mm. Tempo: + ou - 70 horas.


Denário Romano, Caesar
Material: duralumínio. Diâmetro: 220mm. Tempo: + ou - 70 horas.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Encontro em Taquara

Nos dias 15 e 16 de outubro, estarei participando do 7° Encontro Nacional de Filatelia, Numismática e Colecionismo de Taquara / RS.

Quem vai???

domingo, 10 de outubro de 2010

A DESMITIFICAÇÃO DA NUMISMÁTICA (isto é uma provocação)

Há uns tempos atrás, escrevi um texto, cujo título era: “As imitações e suas consequências”.
Agora estou me questionando: como anda a numismática em nosso país?
Onde se encontram os verdadeiros numismatas? Estarão eles em extinção?
São perguntas que se impõem quando de nossos encontros, palestras e reuniões.
No ano de 2002, quando do 1º Congresso Luso Brasileiro de Numismática, realizado em Brasília, chegamos a discutir tal tema, tanto que a chamada do referido Encontro era o título acima.
Então cabe bem a pergunta: trata a numismática de MITOS? Ou melhor: será a numismática considerada MITO? Primeiro é preciso esclarecer o significado da palavra MITO: mito é o produto de nossa imaginação, então criamos nossos próprios mitos; imaginamos uma moeda não como um produto histórico, mas sim como algo fabuloso que foi feito não para ser tocado, admirado, estudado, mas sim, para ser guardado a sete chaves sendo este produto proibido de ser mostrado aos outros, sendo então por nós escondidos, impedindo de ser visto. Tenho mas não mostro, mais ou menos assim.
Voltando às imitações, são estas criticadas, principalmente, pelos negociantes, pois entendem estes serem as imitações uma farsa, não sendo permitido, muito menos aceito, sua utilização, quer dizer: não sendo verdadeiro, não é válido. Aí está constatada a ideia do MITO. Mas se eu não tenho condições de adquirir uma peça legítima muito rara que, por conseguinte, é muito cara, por que não posso ter uma imitação ou dizendo melhor, uma réplica da original, para que eu possa ver como é aquela peça tão rara? Não é a obra de Da Vinci, Monalisa, tão imitada? Ou seria preciso ir ao Louvre para admira-la e conhece-la? Acabo de registrar um exemplo do que é um MITO. Pois sendo assim: comprei uma coleção de moedas americanas, meras imitações que são as fotografias metálicas daquelas peças impossíveis de serem por mim adquiridas. São as mesmas de uma perfeição tal que me permitem ver todos os detalhes, são cópias fieis das originais, compradas por preços ínfimos e que nos dão também prazer em olha-las mesmo sabendo que são “FALSAS”. Importante: não fomos ludibriados, não estamos comprando gato por lebre. Assim: acabei com aquele MITO.
Como gravador que sou e bastante familiarizado com diversos tipos de cunhagens, resolvi há uns tempos gravar e cunhar algumas réplicas das moedas mais raras da coleção brasileira, começando a mostrar aos mais entendidos minhas cunhagens e me atrevo a dizer: fui aprovado. Me entusiasmei e me firmei naquilo que me propus: só replicar peças realmente raras. Quando vi pela primeira vez as peças vindas do exterior achei-as lindas e não vi mal algum em compra-las, mas não as recomendo, só recomendo as minhas...rsrs
Mas voltamos ao MITO: foi recentemente editada por um grande colecionador paulista, uma linda, mas limitada obra, só 30 volumes distribuídos para alguns amigos e entidades relacionadas a nossa numismática, tive a satisfação de ter em minhas mãos um desses volumes que me foi emprestado por um desses privilegiados companheiros: meus amigos, que maravilha! Que extraordinária coleção. Ali estão fotografadas e catalogadas em colorido as mais importantes e raras moedas da coleção brasileira, incluindo várias medalhas também raras. Aí está um exemplo do que pode ser considerado um verdadeiro mito de nossa numismática, pois geralmente quem possui algo parecido, não mostra para ninguém. Está, portanto, esse Senhor dando uma demonstração de desassombro, vindo a DESMITIFICAR a nossa numismática. A este eu parabenizo por seu desprendimento e coragem.
Volto mais uma vez dar exemplo de mitos: fui convidado há uns anos atrás, por uma entidade bancária de outro estado, para fazer uma série de cópias de moedas diversas, ou seja, tanto do Brasil como do mundo todo. Agora eu pergunto: qual o mal de uma entidade fazer cópias para exibi-las ao público que então poderia, ou melhor, dizendo poderá ver réplicas e não as verdadeiras, que estão entesouradas nas caixas fortes de suas casas bancárias pelo alto valor que elas representam tornando-se então mitos e mitos não se enxergam, pois são frutos de nossa imaginação.
Mais um exemplo de um mito: quando em nossas VO., são nos oferecidas peças de alto valor,vejam que eu digo alto valor, são estas consideradas ou não um mito? Pois acabam de sair de uma fortuna para entrar noutra. É ou não é uma fábula?
Vamos citar aqui, alguns exemplos de fatos fabulosos e bem recentes: foi vendida nos Estados Unidos uma moeda brasileira de 500 réis de prata do ano de l887 pela bagatela de US$ 52.000,00. Foi vendida também nos USA, uma moeda de um dólar 1795 por US$ 1.200.000,00. Agora em um leilão na cidade de SP, está sendo apregoada um 640 réis por R$ 110.000,00. Assim temos que admitir estarmos diante de alguns MITOS, ou não?
Deixemos então de sermos imaginários, vamos encarar a história de nossas moedas sem fábulas, sabemos que elas existem, algumas não podem ser por nós tocadas, e muitas vezes nem vistas, então precisamos de uma fotografia para conhecê-las e, é claro, se tivermos uma perfeita réplica, aí sim fica tudo muito melhor.

P. P. Balsemão

AS IMITAÇÕES E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Há poucos dias atrás, li em algum lugar sobre um expert que foi enganado ao identificar uma peça rara em uma loja de antiguidades na Europa. O cara “pagou o mico” junto à dona da loja.

Há quinze anos, quando comecei a fazer as minhas primeiras réplicas, tratei desde logo de identifica-las para não ter problemas no futuro. O tempo foi passando e com muito afinco e coragem segui fazendo novas e mais perfeitas réplicas que eu enviava aos meus colegas e amigos para obter opiniões sobre meu trabalho. Recebi inúmeras manifestações de todo o território brasileiro e em todas tive o apoio e incentivo para continuar.

Mas, afinal – ao que exatamente eu estava me propondo? Qual o meu objetivo? Estaria eu pensando em ganhar dinheiro com isso? Não. Nada disto. Minha intenção era divulgar, estimular o colecionismo de moedas, chamar a atenção das pessoas para a beleza e a importância de nossas moedas, que contam um pouco da história de nosso país. Minha primeira réplica que julgo importante foi a “Peça da Coroação” – D. Pedro I, 1822R. Em seguida fiz o 960 réis 1809R, peça única conhecida. Logo adiante dentre muitas outras, fiz também réplica das “Três Cabeças” da República (1891/1896/1897). Com estas, fui projetado nacionalmente no meio numismático a ponto de receber correspondência dos mais ilustres expoentes da numismática brasileira, (alguns, infelizmente já falecidos) cumprimentando-me pela perfeição do trabalho. Embora a aprovação para o meu trabalho não tenha sido unânime, pois algumas pessoas manifestaram-se, ainda que timidamente, contra, não desisti do meu projeto.

Hoje, felizmente, sou reconhecido e respeitado no meio numismático, entretanto, algumas observações “espirituosas ou não”, muitas vezes são colocadas numa roda de conversa entre companheiros. Por exemplo: “Se o Balsemão tivesse más intenções com suas réplicas, causaria sérias controvérsias no meio numismático” ou “Como todo o bom artista, este gravador ficará famoso, mas, naturalmente, após a sua partida, deixando suas peças serem disputadas pelos ávidos comerciantes, que aí sim tratarão de valoriza-las ao máximo”.

Vale ainda esclarecer: Porquê réplica de tal ou qual peça? Qual o critério adotado para fazer este trabalho? As peças que me proponho a replicar são, muitas vezes, únicas ou raras, que se não estão em mãos de alguns colecionadores, poderão ser vistas apenas em museus ou em fotografias. A réplica tem o propósito de aproximarem-se o mais possível da peça original, porém sem qualquer comprometimento, pois elas são, invariavelmente, identificadas em seu propósito.

Agora vamos tratar de outras imitações; aquelas que são feitas com o sentido iminente de enganar, tirar proveito – vejam que não menciono falsificações e sim imitações. São peças de todos os tipos, de marcas e grifes famosas – desde porcelanas, cristais, marfins, biscuit, até roupas, calçados, etc. Agora, chegou a vez das moedas. Vindas do exterior, estão causando verdadeiro estardalhaço nos meios numismáticos. Há um ano atrás, comprei de um comerciante, duas peças de “prata” – 2.000 réis 1867/1886, oferecidas esclarecidamente como “falsas”. Comprei sabendo. Queria comparar e ver a que ponto poderia chegar a semelhança com uma original. É de assombrar a perfeição da imitação.

Recentemente um amigo esteve nos Estados Unidos e de lá me trouxe um 4.000 réis de 1900, famosa peça comemorativa de nossa numismática. Linda e perfeita imitação.

Alguns dias mais tarde, em nosso Encontro Numismático em Porto Alegre, eis que vejo algo estarrecedor em matéria de imitação: mais um 4.000 réis e os dólares norte americanos dos séculos XVIII e XIX, com a coleção inteirinha num belo álbum cuja capa também era de uma imitação perfeita de couro, que faria “Luster babar”, pois o estojo referido talvez valesse mais ainda do que as próprias peças. As especificações escritas, evidentemente em inglês e garantindo serem as peças em prata 900. Não tive dúvida: de posse de uma peça de 4.000 réis 1900 fui à procura, ali mesmo próximo ao encontro, de um chaveiro que pudesse corta-la ao meio. O chaveiro não queria fazer o serviço, com pena de estragar uma peça “tão bonita e cara”. Tive que argumentar muito e então ele concordou em cortar a peça e assim pudemos confirmar o que eu já suspeitava: Não se tratava de prata coisa nenhuma e sim de um latão (cobre + zinco) ali debaixo daquele “prateado”. Então todos os presentes ao evento puderam constatar o “blefe”. Se estas peças vêm da China, eu não sei, só sei que são tão perfeitas que podem enganar aos menos avisados, portanto... E o preço é ainda mais estarrecedor. Segundo os participantes do “Mercado Livre”, estas peças podem ser adquiridas por bagatelas.

E agora, o que fazer? Processar os imitadores? Apelar para a “Corte Internacional”ou irritarmo-nos? Não, nada disto. Vamos encarar estes fatos com naturalidade, sabendo que jamais poderemos impedir esta prática no mercado. Vamos sim, ficarmos atentos e chamar a atenção de todos os interessados para terem cuidado, pois o trabalho é tão perfeito que pode enganar a qualquer um. Entretanto, alguns detalhes podem ser o “divisor de águas”: O peso da peça será exatamente igual ao peso da peça original? O preço oferecido é o praticado no meio numismático? Há um consenso na média de preços? Às vezes nem pelo peso é possível decifrar uma verdadeira de uma falsa. A peça que adquiri, ciente de que era falsa, tem o peso muito aproximado da verdadeira. A imitação é tão “perfeita” que a criatividade dos “inventores” vai desde uma moeda BG, UG, BC e aí por diante. Não foi esquecida nem mesmo a pátina...
Então, nós, que nos consideramos verdadeiros numismatas temos o dever de reconhecer uma peça falsificada, imitada ou replicada.

Em breve, voltarei ao assunto.

P. P. Balsemão

Um pouco sobre mim...


Ao iniciar meu Blog, estou me dando a conhecer aos que me honrarem com sua leitura. Nasci em 1931, na cidade de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul – Brasil. Me criei manuseando as moedas de Mil Réis. Assisti em 1942, então com 11 anos e cursando 0 3° ano primário a Reforma Monetária que mudou o Mil Réis para o Cruzeiro. 1967, veio o Cruzeiro Novo, já era adulto mas ainda não me interessava pelas moedas. Daí vieram diversas reformas em nosso dinheiro e em 1989, como que num estalo, lá estava eu com uma porção de moedas a observá-las quando então, fui em busca de suas histórias. Foi aí que tudo começou. Desde então, não teve mais um dia em que não me envolvesse de uma maneira ou de outra com nossas moedas. Me filiei então a algumas entidades ligadas ao colecionismo. Já em 1995, organizei uma exposição na sede do Banco do Brasil, na cidade de São Leopoldo – RS, onde estive radicado por muitos anos. Viajei por algumas cidades do nosso interior, com esta exposição, mostrando aos interessados o nosso dinheiro, o dinheiro do Brasil. Está hoje esta vitrine fixada no Museu Histórico Visconde de São Leopoldo, na mesma cidade, pois assim decidi, lá seria o seu lugar doravante. Hoje me intitulo colecionador das moedas brasileiras e estudioso de toda sua história.

Sou gravador profissional (autodidata), estabelecido desde 1952 na cidade de São Leopoldo. Hoje estou aposentado e então me sobra mais tempo para me dedicar ao que eu mais gosto de fazer, entre outros, pois tenho mais um hobby que é o de cunhar moedas e medalhas raras. Assim me distraio com um tema muito emocionante. Em 2005 editei um catálogo do meu trabalho que intitulei: “Catálogo de Réplicas e Medalhas do Gravador Balsemão”. Ali publiquei todos os meus trabalhos até Novembro de 2004. Foi justamente aí que passei a ser mais conhecido tanto como colecionador como gravador de réplicas.

Pretendo me comunicar com o mundo da internet para passar minhas experiências como curioso e pesquisador do tema Numismático. Pretendo editar seguidamente textos de informações para provocar meus companheiros e colegas, esperando naturalmente ser entendido, aguardando sempre manifestações e opiniões a respeito.

P. P. Balsemão
Ivoti, 10 de outubro de 2010.