quarta-feira, 29 de junho de 2011

terça-feira, 28 de junho de 2011

AS PRIMEIRAS MOEDAS DO BRASIL – 1695

Sabe-se que as primeiras moedas brasileiras cunhadas em prata foram produzidas pela Casa da Moeda da Bahia no ano de 1695, nos valores de 20, 40, 80, 160, 320 e 640 réis. Nossa literatura a respeito nos informa sobre este interessante material numismático, somente porque elas existem, não nos informando, porém nenhum outro detalhe em referencia, por exemplo, de como foram produzidas ou de onde provinha esta prata e o nome dos abridores de cunhos da época ou de onde vieram os cunhos. Estes foram abertos já em território brasileiro? Não temos, infelizmente, nenhuma notícia da existencia de cunhos daqueles longinquos tempos, nem mesmo em museus fora do Brasil. Nossa casa da Moeda do Rio de Janeiro, nem museu tem e segundo K.P. teve no passado grande incendio em suas instalações, quando foram consumidas pelas chamas suas preciosidades. Vamos agora tratar da realidade, isto é, coisas que a nossa história não conta e falar um pouco das moedas do ano 1695. Quando das tratativas para que fossem cunhadas nossas moedas no Brasil, na Casa da Moeda da Bahia, certamente foram feitos alguns ensaios, desses, temos somente uma prova, que é o 640 réis com data de 1695 chamada de calvário, peça única, de propriedade do museu Herculano Pires Banco Itaú – SP (figura nº 1)Trata-se de um ensaio, segundo os historiadores. Já a segunda, (figura nº 2) é uma moeda bastante conhecida, porém escassa, circulada no tempo do Brasil Colonia. Nossa curiosidade fica, então, em aberto.
Quem seriam os primeiros abridores de tais cunhos, de onde provinham os materiais para os mesmos? De onde vinham as ferramentas para a execução de tão delicada missão? Como seriam de fato cunhadas tais peças? Seriam elas feitas a quente ou apenas recozidas? Não escondo minha curiosidade, pois como conhecedor de todos esses processos, sei de antemão que não escrevo nenhuma novidade, porém não vi ninguém ainda, tratar de tão interessante assunto.
Fontes: - Kurt Prober – Catálogo das Moedas Brasileiras
Livro das Moedas do Brasil – Arnaldo Russo
O Outro Lado da Moeda –Postais Itaú Numismática



Fig. 1
Fig. 2

P. P. Balsemão
Ivoti/ RS




sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

NOVIDADES A VISTA

Com o titulo “Um manancial para pesquisa” escrito no boletim numero 67 da AFNB, Marcelo Duarte está nos trazendo excelente novidade: “É interessante dar conhecimento a comunidade, que muito em breve será disponibilizado, para pesquisa em mídia eletrônica, um dos três maiores acervos numismáticos do país. Existe, atualmente, em andamento contrato do Banco Central com empresa especializada para entre outros objetos contratuais, estudar, higienizar e otimizar a preservação do acervo numismático pertencente ao Museu de Valores daquela casa”. E segue o autor: “Por dever de ofício, responsável pela empresa contratada para os procedimentos inerentes ao acervo metálico, pude vivenciar a oportunidade impar de manter contato com peças seculares que compõe o universo rico e diversificado daquele acervo”. Para se dar uma idéia do que vem por aí, vou citar só mais uma parte do interessante artigo: “Os interessantíssimos recunhos dos patacões merecem um capitulo a parte, entretanto, sobre estas peças, deve-se relatar, por ora, a presença de alguns exemplares portando o carimbo da coroa britânica, autorizando a circulação nos protetorados do Caribe. Outro tema relevante são os ensaios. São muitos e primam pela raridade histórica. Para se ter uma idéia, mencionaremos, pelo menos duas ocorrências: o ensaio em cobre do famoso patacão 1809 e a outra ocorrência merecedora de destaque é um conjunto de ensaios em ouro do cruzeiro (1927-1928) e suas  sub divisionárias. Os recunhos dos 640 réis, decididamente foram uma surpresa. Abundam no acervo, peças de 640réis recunhadas sobre “j””.
E segue o artigo descrevendo parte do que será mostrado via internet para deleite dos aficionados da numismática brasileira.
Marcelo Duarte é associado da AFNB e assessor da Bibliátrica, empresa contratada pelo BACEN.



Ivoti/RS -  Cidade das Flores

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

AS CÓPIAS VINDAS DA CHINA (3)

Pois meus amigos... Estas cópias vão ainda dar muito o que se falar.
Recentemente, por ocasião do VIII Congresso Latino Americano de Numismática, patrocinado pela SNB de São Paulo foi cunhada mais uma medalha, aliás, como tem sido praxe, para assinalar tal evento. Tem, esta peça, em seu reverso, uma réplica de um Dois mil Réis, 1875, com o busto de D. Pedro II à esquerda e com um carimbo bifacial da República da Guatemala, do ano de 1897. Devo assinalar aqui que tão logo recebi o folder, anunciando que assim seria a medalha do último CLAN, registrei o meu protesto, por discordar da escolha daquela peça, achando-a de muito mau gosto, muito embora, devesse eu saber, tratar-se de moeda existente, constante do catálogo de moedas USA dos anos 1801/1900, KM 213, dada como rara.
Por que protestei? Simplesmente por discordar da sugestão escolhida, cujo carimbo, tampou o rosto do nosso imperador.
Como estive presente ao evento realizado nos dias 02, 03 e 04 de dezembro, tive a oportunidade de comentar com alguns companheiros a minha opinião, a respeito do que escrevi acima. Agora pasmem meus leitores: Em conversa com um comerciante presente ao evento, fiz referencia a tal moeda ao que respondeu ele que tal peça seria considerada peça única e que se encontra no museu da capital da Guatemala, mas que os “chinas” já haviam copiado a mesma, estando, portanto a venda, para desencanto dos comerciantes de moedas.
Pois bem, tratei de por os meus colaboradores em ação e hoje, dia 18 de dezembro do ano que está por findar, chegou em minhas mãos um exemplar, cópia fiel da dita “prata”, 1875. Não vou nem comentar a perfeição da cópia, pois como eu disse, é fiel em tudo, faltando apenas, a assinatura do gravador Luster, que tiveram o cuidado de extrair. Agora vem a pergunta: Se a peça é tão rara ao ponto de ser tida como única, como é que fizeram a cópia? Deixo a pergunta no ar. Antes, chamando a atenção, profetizando – breve, muito breve, veremos muitas peças “únicas”, replicadas fielmente, sendo vendidas a preços irrisórios aos colecionadores.
Ivoti-RS, 18 de dezembro de 2010.

Nota: Vejam que já tomei o cuidado de colocar a palavrinha “cópia”, na minha aquisição, senão ...



Ivoti, 25 de Dezembro de 2010.
P. P. Balsemão.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

XIII CLAN – SNB – SP

Tive a satisfação de estar presente no XIII Congresso Latino Americano de Numismática, realizado em São Paulo, nos dias 02, 03 e 04 de dezembro deste ano, quando revi muitos companheiros de lugares distantes. Vivi momentos de plena alegria, vendo o salão destinado ao evento, repleto de comerciantes ávidos em negociar muitas maravilhas expostas em suas mesas. Apertei a mão de muitos. De alguns até fiz aquisições, ainda que poucas. Presenciei a última venda sob ofertas, realizado no sábado, dia 04, ali também disputei alguns lotes. Devo destacar lote n° 3548, medalha Esforço de Guerra, cunhada no ano de 1943, na Casa da Moeda do Brasil, para registrar a participação do Brasil na II Guerra Mundial (1939-1945). K.P. n° 3P – 10 peças cunhadas em prata. “Paguei alto, mas satisfiz meu ego”.

Não posso deixar de registrar o lançamento em 2ª edição do livro: Conjunto de Moedas, Barras e Medalhas Brasileiras – RLM, que tive a honra de ser destacado com um exemplar, com uma bela dedicatória feita pelo autor Dr. Roberto L. Monteiro, a quem devo agradecer a especial deferência. Trata esse livro do registro de peças brasileiras desde os tempos do Brasil Colonial Imperial, até o início da República Brasileira. Magnífica obra colorida, muita bem elaborada com excelente impressão. Parabenizo o autor por seu desprendimento ao mostrar ao mundo numismático de nosso país, tão maravilhosa e importante coleção.




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

960 Réis 1809R – Peça Única



Muito tenho lido a respeito do 960 Réis 1809R peça única conhecida nos meios numismáticos do Brasil. Nossos celebres professores K. Prober e Lupércio Gonçalves Ferreira, a ele se referem nos informando minúcias sobre este mito da coleção de moedas brasileiras. Kurt Prober em longo artigo inserido na “Revista Casa da Moeda” n° 5, de Outubro de 1947, relatando sua classificação detalhada, comentando também sobre outro “patacão” surgido em 1942/ 43, peça esta que causou furor nos meios numismáticos de então, ficando depois constatado e provado ser a mesma falsa: ou melhor: falsificada de uma outra moeda de 1810. A referida peça propriedade do Museu do Banco Central do Brasil está exposta ao público em uma de suas vitrines de moedas do Brasil para gaudio dos interessados em pelo menos poder ver a moeda considerada a mais rara de nossa coleção de prata. Interessante é ver-se que a dita moeda está em perfeito estado de conservação, o que chama ainda mais a atenção.

Quando iniciei nas gravações e cunhagens de minhas réplicas, procurei sempre pautar pela seriedade, admitindo estar enveredando por caminho muito complicado e perigoso, sendo assim tratei de me resguardar ao máximo possível para não ser repentinamente confundido com um “mero” falsificador.  Que fiz então? Tratei de me comunicar com a oficialidade dos meios numismáticos, procurando fazer ver a todos que estaria fazendo algo em prol dos estudiosos, pesquisadores, colecionadores e curiosos de nossas moedas, procurando com meu trabalho mostrar aos aficionados ser possível se conhecer peças raras ainda que por semelhança podendo ter em mãos minhas réplicas cunhadas por mim absolutamente sem nenhuma outra pessoa participar das gravações dos cunhos e da cunhagem das mesmas. Sendo assim, minhas primeiras amostras foram dirigidas às entidades oficiais e oficiosas. Enviei naquela ocasião, idos do ano 2000 ao Museu do BACEN minhas duas principais réplicas: peça da coroação e 960 réis 1809R, sendo as ditas acompanhadas de correspondência, esclarecendo o que escrevi acima, obtendo então ciência sobre o assunto.

Para minha satisfação, sou hoje conhecido entre os colecionadores nacionais e internacionais, pois tenho recebido manifestações também de fora do Brasil de pessoas que conhecem e admiram meu trabalho. Quando em 2005 publiquei um pequeno catálogo em que apresento todas as minhas peças até ali produzidas, tratei também de esclarecer meu propósito fazendo alusão aos que me provocaram tentando levar-me a caminhos espinhosos. Como felizmente sou bastante esclarecido e de um caráter firme e inabalável jamais me deixarei corromper por pessoas mal intencionadas.

Junto imagem de duas réplicas de prata do patacão 1909R e também dos cunhos que estarei destruindo muito em breve.

Referências:
- Catálogo dos Patacões 1809R do Rio;
- L. G. Ferreira;
- Revista Casa da Moeda – Rio de Janeiro.

Ivoti, Novembro de 2010.

P. P. Balsemão